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    Astrofotografia, pra que?

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    Astrofotografia, pra que?

    Mensagem  AJC em Dom Jul 16, 2017 12:31 pm

    Astrofotografia, pra que?

    Depois de muitos anos observando os astros, me veio o seguinte questionamento: Astrofotografia, pra que? Qual a contribuição científica da astrofotografia nos dias atuais? A astrofotografia referida aqui é aquela produzida por grandes instituições, que geram espetaculares imagens por efeitos de exposição prolongada e pelo uso de diferentes filtros a fim de se produzir um efeito primordialmente estético. A astrofotografia referida aqui não é aquela cujo objetivo seja para astrometria ou descoberta e identificação de novos objetos, por comparação. Mas aquela na qual se torna mero instrumento de publicidade, divulgando fotos muito distantes da realidade observacional.

    Durante milênios a astronomia existiu pela observação visual, a olho nu. Muitos observatórios foram edificados na pré história a fim de se estudar e calcular a posição dos astros. E todo o processo era visual. Na recente história do nosso tempo, já no início do século 17, chegaram os primeiros telescópios. Apesar da brutal revolução que isso provocou, a prática da astronomia ainda se manteve visual. E continuou assim nos séculos 18 e 19.

    Os astrônomos descreviam e desenhavam o que viam e a imagem mesmo só existia na ocular. Galileu, Kepler, Cassini e Huygens fizeram suas descobertas e cálculos astronômicos pela observação visual. No século 18 o francês Charles Messier elaborou um catálogo com 110 objetos de céu profundo (DSOs) e o alemão, naturalizado inglês, William Herschel, descobriu e registrou mais de 2.000 objetos, lista essa que foi o ponto de partida para que John Dreyer compilasse, alguns anos depois, um novo catálogo, o NGC, com 7.840 objetos, à partir de observações, também visuais, de mais de 100 observadores. Listas de estrelas duplas, de estrelas variáveis e o estudo do relevo lunar, tudo fruto da observação visual assim como desenhos e descrições de Júpiter, Saturno e Marte. Novas descobertas como Urano, Netuno, as nebulosas planetárias, os principais satélites de Júpiter e de Saturno, com seus anéis, assim como centenas de cometas, tudo isso foi registrado à partir da observação visual. Era a ciência como fruto da observação direta do mundo natural.

    "A atividade científica era sociologicamente marginal, periférica. Hoje, a ciência tornou-se poderosa e maciça instituição no centro da sociedade, subvencionada, alimentada, controlada pelos poderes econômicos e estatais". MORIN, 2005.

    A fotografia se desenvolveu no século 19 e, com ela, a espectroscopia, que registrava a luz em placas fotográficas, decomposta, de objetos distantes, em imagens coletadas por telescópios. No século 20 os telescópios aumentaram muito em diâmetro atingindo, já ao final da década de 1910, 2,5 metros com o telescópio Hooker do Observatório de Mount Wilson, nos EUA. Esse equipamento foi fundamental para as descobertas de Edwin Hubble que coletava a luz de objetos distantes para gerar seus espectros afim de calcular suas velocidades em relação à nossa galáxia.

    Porém, em 1948, entrou em operação o maior de todos os telescópios até então: o telescópio Hale do monte Palomar, com seus 5 metros de diâmetro, também nos EUA. Um equipamento com 40 toneladas de peso, muito caro e que precisava de altos recursos para ser mantido pela iniciativa privada. A construção e operação desse telescópio, ao longo da década de 1940, se tornou um acontecimento. E uma das estratégias de marketing de quem administrava esse Observatório, foi registrar fotograficamente, com uma exposição de uma hora, quase 2.000 objetos. Pela primeira vez, em larga escala, todos aqueles objetos seriam divulgados, mostrados e publicados em livros, revistas, jornais e cartazes. Foi uma revolução na forma de se relacionar com as imagens dos astros. E é à partir desse momento histórico, com suas respectivas implicações, que suscitou-se alguma reflexão, aqui pretendida.

    Que as imagens geradas pelo Observatório do monte Palomar contribuíram para a divulgação da astronomia e, também, para a viabilização dos recursos para a sua própria manutenção, isso é inegável. Porém, essa estratégia de marketing vitoriosa cobrou seu preço: tais imagens se tornaram referências para tais objetos fotografados mostrando, a todos, imagens muito diferentes do que se via através da ocular de um telescópio. E a observação visual se viu confrontada frente às sedutoras imagens fotográficas de longa exposição.

    Um dos principais argumentos para sobrepor a importância da astrofotografia de longa exposição à observação visual era que, em tais imagens, apareciam mais detalhes. E que tais detalhes, não meramente estéticos, traziam mais informações do que o olho humano, por trás da ocular, poderia perceber. Mas esse argumento se desfaz rapidamente se pensarmos que não se tem relatos de observações visuais feitas no Observatório do monte Palomar para quaisquer comparações. Um outro argumento seria que a fotografia eliminaria a subjetividade da observação visual. Mas sendo a ciência fruto da observação, tal subjetividade não seria intrínseca ao fazer científico? E as atuais edições de imagens, com filtros e programas específicos, não estariam comprometendo a referida objetividade?

    E ainda: que nível de realidade a astrofotografia de longa exposição nos mostra? Ao analisarmos uma fotografia de uma galáxia do tipo espiral, por exemplo, vemos uma região central muito brilhante e braços espirais também muito brilhantes. Porém, moramos dentro de uma galáxia espiral. E ainda, dentro de um de seus braços espirais. Mas ao olharmos para o céu noturno, aonde está todo aquele brilho que sobra nas astrofotos? Se as astrofotos daquelas galáxias distantes representassem minimamente a realidade do mundo natural, o centro da Via Láctea, em Sagittarius, nos pareceria mais brilhante que a Lua cheia! Mas não é isso o que vemos. Surge então uma outra questão: aquelas imagens são reais? Ou meros objetos de propaganda institucional?

    O que essa astrofotografia, manipulada, nos tem oferecido, até os dias atuais, é um tipo de imagem agradável se sobrepondo à imagem do mundo real. Porém, se pensarmos que o fazer científico deva ser norteado, prioritariamente, pelo que se refere à observação do mundo natural, a produção de tais imagens irreais não se sustenta, não mais se justifica, senão pela simples contemplação ou propaganda, sem agregar valor relevante à produção científica.

    Se analisarmos o que nos cerca sem esse viés crítico, assumimos o risco de uma prática fútil e desconectada de qualquer valor significativo de contribuição científica. O que, no passado recente, serviu como estratégia de divulgação da astronomia, com impactantes imagens, hoje ecoa como um fator desestimulador aos que se interessam pela iniciação em astronomia ao constatarem, na ocular de um telescópio, uma realidade tão distante do que se vê nas astrofotos tão amplamente divulgadas.

    Não nos parece razoável que o canto sedutor da sereia, das astrofotos, possa despertar a curiosidade e o interesse pela pesquisa em astronomia, por uma proposta tão desconexa com a realidade observacional. Então, o fazer científico, baseado na observação, sucumbe à proposta rasa da estética das astrofotos divulgadas por grandes instituições. E ainda, muitas pessoas, influenciadas por esse poderoso marketing, investem seus parcos recursos em suntuosos equipamentos para apenas replicar as fotos do telescópio do Monte Palomar, de 1948. Projetos caríssimos, como o telescópio espacial Hubble, também se renderam à essa prática rasa de propaganda feita por divulgação de imagens multiprocessadas, espetaculosas, muito distantes da realidade observacional, como elemento midiático de publicidade.

    "A instituição científica suporta as coações tecno-burocráticas, próprias dos grandes aparelhos econômicos ou estatais, mas nem o Estado, nem a indústria, nem o capital são guiados pelo espírito científico: utilizam os poderes que a investigação científica lhes dá". MORIN, 2005.

    A prática da ciência não deve ser exclusiva das grandes corporações. O cientista deve achar alternativas para uma prática independente e qualitativa pois diante de uma ciência tão institucionalizada, o que se vê é a valorização do quantitativo no qual o "mais" é o único caminho para o "melhor", em consonância a uma sociedade de consumo. Todos aqueles grandes telescópios do século 20 se tornaram monumentos ao passado por essa lógica. Pontos turísticos e reflexos de seus próprios propósitos de grandeza, atualmente substituídos por maiores aberturas. E nessa lógica, consumista, quantitativa, uma imagem mais brilhante será sempre melhor que outra, menos brilhante, não importando o que se faça com ambas. Pouco espaço para a observação visual num cenário desses. E menos ainda para a pesquisa.

    A comunidade científica deve, com independência e autonomia, se manter alerta para não se deixar levar pelo discurso mercadológico da cultura midiática global que não é capaz de vislumbrar os preceitos éticos da pesquisa científica. Monitoramento de eventos nos planetas, estudos do relevo lunar, identificação e análise de milhares de objetos de céu profundo, medição em estrelas duplas, estimativas de brilho de estrelas variáveis, contagem de manchas solares, observação de eclipses, cronometragens de ocultações e de trânsitos dos satélites em seus respectivos planetas assim como de planetas no Sol, além do acompanhamento de cometas, são alguns dos exemplos de atividades demandadas pela observação visual e com estreita relação à produção de material relevante em pesquisa científica. E isso tudo nos leva a indagar: Astrofotografia, pra que?

    Referências bibliográficas:

    - RIDPATH, Ian. Guia ilustrado Zahar Astronomia: 2a ed. Rio de Janeiro, Jorge Zahar Ed., 2008.

    - Observatório do monte Palomar: www.astro.caltech.edu/palomar. Acesso em 14 de julho de 2017.

    - Observatório Monte Wilson: https://www.mtwilson.edu. Acesso em 14 de julho de 2017.

    - MORIN, Edgar. Ciência com consciência. 8a ed. Rio de Janeiro, Bertrand Brasil 2005.

    - Informativo do GOA, número 6. Departamento de Física, Centro de Ciências Exatas, UFES, 2010.

    - Olhando para o céu, Capítulo 4: da prata ao silício. https://m.youtube.com/watch?v=LRI6KvB6arg. Acesso em 14 de julho de 2017.


    O texto acima se relaciona com o conteúdo abaixo:
    http://astrotopico.forumeiros.com/t57-astronomia-observacao-e-estudo-dos-astros


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    Re: Astrofotografia, pra que?

    Mensagem  Dry em Dom Jul 16, 2017 2:38 pm

    A meu ver, esse é um pensamento retrógrado, sem levar em consideração a evolução humana!
    Será então que toda observação visual ou astrofoto tem que ser voltados para objetivo científico ? 
    Não se pode observar ou fotografar pelo simples prazer de contemplar as maravilhas do universo ? 
    Não se pode fazer uma fotografia apenas porque Galileu, Kepler, Cassini e Huygens faziam desenhos de suas observações ? 
    Será que se eles tivessem condições não fariam mais do que isso ? Era o que eles tinham na época...
    E a evolução, como fica ? Devemos ficar parados no tempo apenas por isso ? Não acho razoável...
    Será que os grandes cientista hoje ficam fazendo desenhos de suas observações, quando se consegue imagens detalhadas dos mais distantes objetos?
    A Nasa investe milhões em pesquisas, e como citado o Hubble foi uma conquista histórica.

    Fiz observação visual por muitos anos, mas chegou uma hora que atingi um certo limite, praticamente intransponível. 
    Por melhor que fosse o telescópio ou as oculares, ficava faltando algo a mais. E agora, o que fazer ? 
    A grande maioria simplesmente desiste do hobby ! Não foi meu caso, e vi na astrofotografia a enorme possibilidade de continuar em frente.
    Sinceramente não sei o que faria hoje se não fosse a Astrofotografia Amadora !

    Astrofotografia, pra que? Somente quem nunca sentiu o prazer de conseguir fazer uma astrofoto de uma galáxia distante ou de uma nebulosa pode fazer esse tipo de pergunta... 
    Seus olhos ganham outra dimensão, e vc se sente totalmente realizado, por ter atingido seu objetivo ! É uma conquista totalmente pessoal, mas que não pode e não se deve deixar de compartilhar com as outras pessoas.
    Fazer uma foto parecida com o que se fez com um telescópio de 5 metros no monte Palomar não é ruim, muito pelo contrário, é espetacular !
    Com o crescente aumento da poluição luminosa, daqui a alguns anos simplesmente vai ser impossível de continuar com as observações visuais dos grandes centros. Uma pena...

    Essa afirmação não faz sentido:


    "Monitoramento de eventos nos planetas, estudos do relevo lunar, identificação e análise de milhares de objetos de céu profundo, medição em estrelas duplas, estimativas de brilho de estrelas variáveis, contagem de manchas solares, observação de eclipses, cronometragens de ocultações e de trânsitos dos satélites em seus respectivos planetas assim como de planetas no Sol, além do acompanhamento de cometas, são alguns dos exemplos de atividades demandadas pela observação visual e com estreita relação à produção de material relevante em pesquisa científica."


    Tudo isso é feito com fotos, é a grande verdade !


    Espero que a astrofotografia continue evoluindo cada vez mais, e que cheque um dia em que ela seja acessível a muito mais pessoas do que hoje.
    É a humanidade evoluindo, sempre !


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    Re: Astrofotografia, pra que?

    Mensagem  JonasJ em Dom Jul 16, 2017 7:08 pm

    Nem tanto ao mar nem tanto a terra, de fato esse questionamento já me passou pela cabeça. Mais vale compreender o que está sendo observado, do que o registro em si. Mas ainda assim acredito que a lista de benefícios que a astronomia através dos sensores das câmeras fotográficas é bem extenso. A própria possibilidade de comparar fotos diversas colabora para ratificar o que foi observado, como detalhes do relevo lunar por exemplo. Enfim, em último caso penso que a astrofotografia é uma forma de levar parte da astronomia até as outras pessoas.


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    Re: Astrofotografia, pra que?

    Mensagem  André MTC em Dom Jul 16, 2017 8:49 pm

    Grande dilema (questão) da astronomia nos dias atuais: observação e (ou) astrofotografia? A menos que façamos uma clara diferença da utilização da astrofotografia, não vejo incômodo algum na existência lado a lado dessas duas práticas. Mesmo porque se tratam do mesmo ramo científico.
    Porém concordo que ultimamente a astrofotografia ganhou contornos “quase” de produção artística. Chegando ao cúmulo em um grupo de “whatsapp” (não citarei nomes) de lançarem um concurso de melhor edição de imagens. Ou seja, quem domina melhor os recursos de um computador e sua infinidade de programas, muito provavelmente produzirá uma imagem melhor no final do processo - dentro de uma qualidade razoável de captura é lógico!
    Mas para quê? Qual a finalidade disso? Está certo “marginalizar” ou dar uma má fama e reputação a prática da astrofotografia dentro do Universo da Astronomia dessa forma? Tenho certeza que não! Além do prejuízo na reputação para a astrofotografia (que parecerá algo subjetivo e sem nenhum valor científico) esse tipo de conduta também se traduzirá em uma corrida materialista/consumista/competitiva sem fim: telescópios cada vez maiores e mais caros, câmeras que custam mais que o valor de um bom carro, programas de edição de imagem pagos (e caros também) e por aí vai...
    Contudo não podemos reduzir o valor da astrofotografia somente a esse tipo de conduta ou finalidade, afinal ficaria muito complicado entendermos e aprofundarmos em muitas questões da astronomia senão fosse através da produção de imagens. A própria fisiologia do olho humano não permite o acúmulo de luz por muito tempo, nem tampouco a captação de todo o espectro que um objeto possa estar emanando/manifestando.
    Dessa forma concordo que a ciência nasce na subjetividade da observação visual de seus fenômenos (sabemos disso), mas deve ser consolidada através de métodos que possam ser reproduzidos, entre eles a captura de seus fenômenos e manifestações através de imagens - em nosso caso (também) a astrofotografia.  Portanto sensores, filtros e longas exposições podem nos ajudar a entender muito melhor a natureza do Universo e suas manifestações.
     Cabe a nós o devido uso e cuidado desses recursos que a tecnologia nos oferece, como também (e PRINCIPALMENTE) de sua utilização na divulgação da astronomia como ramo da ciência. Nestas horas me lembro de uma frase que li em um livro (muito esperado) de um competente astrofotógrafo brasileiro, onde ele dizia que em um determinado telescópio (não me lembro qual) não se encontrava espaço algum para instalação de uma ocular....Confesso que achei um absurdo, não a fala do autor do livro, mas o desperdício de um equipamento desse porte.
    Também recorro (faço uso) nesse momento da fala e pensamento de um grande amigo que estou tendo a oportunidade de conviver mais de perto nos últimos tempos – o senhor (e Astrônomo) Nelson Travnik. Ele sempre insiste que a observação, quer seja feita diretamente pelo telescópio ou pela utilização de imagens/fotos, deve ser precedida da correta informação para que haja o devido entendimento do que se observa.
    Nada alimenta tanto o espírito e a inquietude do ser humano quanto à observação direta, portanto por mais que a astrofotografia evolua, nunca substituirá o prazer da experiência visual que a astronomia observacional proporciona!
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    Re: Astrofotografia, pra que?

    Mensagem  AJC em Dom Jul 16, 2017 9:32 pm

    "A atividade científica era sociologicamente marginal, periférica. Hoje, a ciência tornou-se poderosa e maciça instituição no centro da sociedade, subvencionada, alimentada, controlada pelos poderes econômicos e estatais". MORIN, 2005.

    Sem entender a citação de Edgar Morin, não vão conseguir penetrar no significado do texto. Não se trata de uma discussão rasa sobre astrofotografia mas da astrofotografia como objeto de manipulação das grandes corporações. Imagens processadas e por longa exposição são imagens manipuladas. Nos últimos 20 anos todas as fotos de céu profundo publicadas em livros são do Hubble. Coincidência? publicidade de estado. Uma astrofotografia com interesses nada científicos. Manipulação e poder são moradores de um mesmo teto. Posso citar uma outra frase de Edgar Morin pra ajudar na compreensão do texto: "a ciência do século 20 traiu a humanidade". Ou será que Hiroshima e Nagasaki fazem parte da evolução?


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    Re: Astrofotografia, pra que?

    Mensagem  André MTC em Dom Jul 16, 2017 10:26 pm

    Hummmm....agora as possibilidades (leque) do tópico/tema se abriram de uma forma exponencial. Produção e manipulação de informação ou "ciência" como queiramos chamar, sempre foram as armas mais poderosas de publicidade e controle. Através dela (informação) ditam-se regras e condutas sociais; constroem-se crenças, valores e determina-se aonde e quando vamos chegar....
    Controle de estatais e grandes corporações "infelizmente" sempre fizeram parte da grande maioria das produções científicas -Tesla que o diga! E com a astronomia não poderia ser diferente.
    Isso só enfatiza a importância da astronomia amadora como fonte e produção de conhecimento "relativamente" independente.
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    Re: Astrofotografia, pra que?

    Mensagem  Dry em Dom Jul 16, 2017 11:14 pm

    André MTC escreveu:
    Nada alimenta tanto o espírito e a inquietude do ser humano quanto à observação direta, portanto por mais que a astrofotografia evolua, nunca substituirá o prazer da experiência visual que a astronomia observacional proporciona!
    O bom do ser humano é que ele é mutável e as vezes seu pensamento vai mudando com o tempo André.
    Chega a ser engraçado, mas disse a mesma coisa que vc a alguns anos atrás no extinto fórum Cosmoforum ! Muitos concordavam e outros não, e hoje tenho uma opinião diferente. Tudo bem, somos todos diferentes e nossas experiências nos levam a caminhos diferentes, o que é normal. Evidente que minha opinião se baseava no que eu sabia sobre astronomia observacional e astrofotografia, e bastou alguma prática com as fotos para que eu tivesse uma outra visão dela.


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    Re: Astrofotografia, pra que?

    Mensagem  André MTC em Dom Jul 16, 2017 11:29 pm

    É necessário extrapolar o simples significado do pensamento a que fiz referência. Apenas tentei dizer, talvez tenha me expressado de forma equivocada, é que nada substitui a experiência direta dos sentidos. Por mais falhos ou menos aguçados que sejam nossos sentidos perto da tecnologia existente, a percepção de algo através do nosso próprio corpo ainda continua sendo uma experiência incomparável!
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    Re: Astrofotografia, pra que?

    Mensagem  André MTC em Dom Jul 23, 2017 1:16 pm

    Essa postagem foi feita no facebook (grupo astrofotografia amadora) por um dos seus membros - Davi Weigert. É um registro (astrofotografia) feito por ele pouco tempo atrás sobre um super aglomerado.
    Belo exemplo da uma bela aplicação/utilização da astrofotografia. Segue o texto original postado por ele:

    "Algumas semanas atrás vi uma foto que o Hubble tirou de um superaglomerado de super estrelas. Ontem não resisti e resolvi procurar. Não foi fácil. Não está cadastrada no Syscan e não é visível a olho nu. No 254 foi difícil distinguir dentro de um monte de estrelas, mas quando vi a primeira foto, não tive dúvida. Era ele. Um montinho de estrelas vermelhas que é o aglomerado de estrelas Westerlund 1, a qual é constituída pelas estrelas mais massivas conhecidas em nossa galáxia.... Para vocês terem uma ideia, uma de suas estrelas, chamada Westerlund-26, é uma supergigante vermelha, e é tão grande que se colocada no lugar do Sol, o planeta Júpiter estaria orbitando dentro dela. E tem mais três estrelas destas no aglomerado. Não para por aí! Também há 6 estrelas amarelas hipergigantes, 24 estrelas Wolf-Rayet (estrelas supermassivas, com mais de 20 massas solares que perdem rapidamente sua massa com violentos ventos solares) e várias outras estrelas espetaculares. Este aglomerado faz parte de nossa galáxia, localizado na constelação de Altar (Ara) - próximo à cauda do Escorpião - e está a 15.000 anos-luz de distância. Um ótimo aglomerado para estudos de estrelas supermassivas. Hoje ele é considerado um super aglomerado aberto, mas acredita-se que no futuro irá evoluir para uma aglomerado globular."


      Data/hora atual: Ter Jul 25, 2017 11:40 pm