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    JÚPITER - Esquema de observação

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    AGM

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    JÚPITER - Esquema de observação

    Mensagem  AGM em Ter Abr 18, 2017 9:44 am

    Coletando os dados mais evidentes acabei criando um diagrama, para anotar e registrar as observações de Júpiter. Este, foi desenvolvido apenas para esse planeta, as três imagens relatam as observações ainda antes da sua oposição desse ano. Tempos de céu difícil por aqui com a aproximação do inverno, turbulência pesada e essas observações de Júpiter foram feitas com um seeing ainda não muito favorável. Com um refrator de foco longo ou com um newtoniano rápido necessitando filtro para poluição luminosa, e ainda numa cidade onde essa poluição varia de 7 a 9, sendo "muito raramente" em nível 7 na sua região central. Para planetas o que basta é apenas uma atmosfera estável, luzes parasitas podem ser contornadas e o acesso, janela, pátio e terraço estão à disposição.

    Já para a observação de DSO, há mais de três anos nem mesmo pude observar a Galáxia de Andrômeda, que fica a uma altura onde a poluição luminosa aqui, na janela onde a paisagem estende-se de noroeste a nordeste, passa dos 35° de altura. Nessa época do ano Júpiter mais noite a dentro fica em grande altura e posição favorável e Saturno percorrerá esse mesmo caminho mais adiante. Apesar disso ser um fator positivo, a atmosfera terá de cooperar, principalmente para as grandes aberturas acima de 200mm. A partir desse mês o céu tem ficado mais escuro, mais limpo, mas isso não o isenta de um seeing ruim, de fortes correntes de ar a grandes altitudes aliada a poluição industrial, distorcendo a luz que chega não somente na objetiva mas aos nossos olhos, lembrando que, o telescópio é o meio, mas é nos nos olhos onde a imagem é realmente formada. Portanto, o telescópio ideal está não somente dentro do projeto de cada um mas também nas condições de localização e físicas de cada observador.





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    Yamatar Refrator: 76,2mm | F/16.4 | d/f:1250mm
    Virtuoso 114mm Refletor Newtoniano | F/4.4 | d/f:500mm
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    serveira

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    Re: JÚPITER - Esquema de observação

    Mensagem  serveira em Ter Abr 18, 2017 12:22 pm

    Fala AGM. Interessante esse seu esquema, se importaria de compartilhar?
    Vou lhe passar meu e-mail por MP.

    Abraços e boas observações!


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    Henrique Serveira

    "Ora (direis), ouvir estrelas! Perdeste o senso!" 
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    Bruno
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    Re: JÚPITER - Esquema de observação

    Mensagem  Bruno em Qua Abr 19, 2017 3:32 pm

    Observação de Júpiter
    Alvos: GMV, mancha junior/oval-BA, borda sul da faixa EQ. norte, falhas ou divisões internas na SEB e/ou eventuais manchas ovais nela.
    Data: 01/04/2017.
    Hora: início 21:30hs  UTC 23:30 - término 00:15 UTC 02:15.
    Localização: 19° 42' 03" S 43° 57' 18" O
    Instrumento: Luneta acromática objetiva Jaegers 103mm (4.1/8") d/f 1.575mm - F/D15.4 - EQ3-2 motor drive.
    Acompanhamento: manual
    Oculares: Sky Wather WA 6mm (262x), Vixen NPL 8mm (197x), Planetária Omegom 9mm (175x), Plossl 10mm (157x).
    Filtro: Crystal View Monn
    Condições atmosféricas: céu limpo e com turbulência mínima - temperatura 22ºC - umidade 56% - pressão atm. 1016 hPa - vento: NE/SO 09km/h
    Seeing: Esc. Pickering estimada entre 9 e 9.5.

    Apenas para contribuir, depois de algum tempo de céu encoberto e próximo do dia de sua aproximação máxima, a atmosfera e o gigante gasoso me surpreenderam mais uma vez. Observando com o Franhoufer de 103mm aberto a F15 e armado com 157x de aumentos, nos momentos de maior estabilidade atmosférica as imagens do disco se mostraram esplêndidas. Foi mesmo até surpreendente e difícil começar a registrar visualmente todos detalhes no disco de Júpiter, tamanha a quantidade de pormenores observados para a minha surprêsa. De forma resumida, além das zonas polares sul e norte - SPZ e NPZ, pude visualizar também as faixas temperadas sul e norte - STB e NTB, as zonas tropicais sul e norte - STrZ e NTrZ, a zona temperada sul - STeZ, a difícil faixa polar sul - SPB, as faixas equatoriais sul e norte - SEB e NEB, e as faixas temperadas norte - NTB e a norte do norte - NNTB. 
    A GMV estava com uma coloração castanho escuro e com a forma mais circular do que ovalada, e bem destacada na grande baía da Mancha Vermelha na STrZ. A mancha junior ou a oval-BA dessa vez não se mostrou nítida no começo, nem quando eu elevei o aparelho para 197x, pois ela parecia se misturar em meio a uma divisão ou fenda interna (Rifts) na SEB, dividindo essa faixa ao meio de um limbo ao outro. Quando ela atingiu o meridiano central MC se mostrou quase como uma mancha oval difusa, mas logo ficou ainda mais indefinida no interior do "turbilhão' central na SEB. Esse turbilhão ou divisão interna na faixa equatorial sul, ora se mostrava como uma linha esbranquiçada que dividia a faixa ao meio, ora parecia se desfazer em "flóculos' ou "estrias" esbranquiçadas que se espalhavam em linha mais ou menos reta no interior da faixa. Essa divisão na SEB fazia uma curva acentuada ao passar ao norte da GMV em CM2 210º, tendo na sua borda sul um engrossamento escuro a oeste da baía da Mancha Vermelha. Só consegui observar a mancha júnior depois que a GMV cruzou o meridiano central, quando a observei quase que de frente com CM2 entre 100º a 120º. Ela estava visualmente com uma coloração variando entre o castanho claro e creme. 
    Ao levar o aparelho ao limite resolutivo dele, com uma ocular de 6mm e 262x jupiter apareceu como uma bola gigante com as bordas meio "enevoadas", dando mesmo um aspecto gasoso ao gigante, e mesmo com o limite resolutivo do 100mm F15 estourando, a leste da oval-BA visualizei mais duas manchas ovais brancas WOS com CM2 em 25º (a leste do MC) e 115º (a oeste do MC), e elas estavam como se tivessem sido "encravadas" no centro da faixa equatorial sul. O formato delas era perfeitamente redondo, e muito semelhante ao da lua que tinha acabado de realizar uma emersão no limbo leste, com uma diferença apenas no brilho que nesta era mais próximo do âmbar e mais brilhante. 
    Na borda norte da faixa equatorial norte e a noroeste da GMV visualizei com boa nitidez uma outra grande mancha oval branca com quase o diâmetro da GMV, e que dava mais a impressão de ser uma baía com a parte curva voltada para o norte, adentrando um pouco para dentro da NEB e invadindo a zona tropical norte. 
    Nessa observação a faixa equatorial sul se mostrou com uma coloração cinza-grafite, e a faixa equatorial norte mostrou-se castanho escuro. Vi também uma mancha oval branca na zona polar sul, mas como a área estava com baixo contraste não pude me certificar com precisão permanecendo incerta. 
    Felizmente e principalmente devido ao seeing excepcional a observação foi rica em detalhes, com todos os alvos sendo observados com sucesso (exceção para a mancha júnior cuja coloração e forma ficaram em alguns momentos indeterminadas, talvez devido a fenômenos na atmosfera joviana).

    Bruno


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    Refrator acromático vintage AZ Tasco 40mm F/18
    Refrator acromático vintage EQ Tasco 60mm F/15
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